| Introdução
Por Fábio Morais Hosken
A exploração dessa atividade encontra-se incipiente no Brasil, com destaque para São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso, entre outros, como o Rio Grande do Sul, que apresenta grande potencial para espécies como a ema e a capivara , porém ainda pouco explorado. Vale ressaltar que o consumo de carne de caça ou de animais silvestres está aumentando e ganhando mais adeptos, como vem sendo anunciado pela mídia. A demanda de seus produtos (principalmente a carne e couro) e subprodutos (óleos, plumas etc.) não está sendo atendida e isso abre um imenso potencial econômico e zootécnico para as espécies. Além da produção não atender à demanda interna do país, existe o mercado externo, cada vez mais interessado em carnes de melhor qualidade e mais saudáveis. A carne de paca é, sem dúvida, considerada a melhor entre todas as carnes de caça. A título de esclarecimento, sabe-se que para um restaurante servir carnes de animais silvestres e para uma casa de carnes ou supermercado vendê-la, estes estabelecimentos devem estar registrados no Ibama, e só podem adquirir o produto de um criadouro comercial que também esteja devidamente registrado no Instituto.
Para fomentar esta atividade é necessário criar linhas de crédito e programas de incentivos por parte das instituições financiadoras (governamentais e não governamentais) para esses projetos, visto que tratam de preservação e educação ambiental, ecologia, geração de empregos e fixação do homem no campo. Assim, daríamos um grande passo para a proteção de nossa fauna - e patrimônio genético - e uma excelente alternativa para o produtor rural, inclusive para as pequenas propriedades, como geradora de receitas e proteína de baixo custo, visto que são animais rústicos e adaptáveis às nossas condições, o que a caracteriza como atividade social ecologicamente correta. Esse melhoramento genético, visando produtividade, através da seleção a favor de características desejáveis - como temperamento dócil, prolificidade e ganho de peso - irá viabilizar a exploração do imenso potencial zootécnico dessas espécies, já comprovado em outros países como Colômbia e Venezuela em relação às capivaras, a Argentina e o Uruguai com as emas, o Panamá com as pacas e os EUA com os crocodilos da Flórida e os psitacídeos (araras e papagaios), aves também muito bem exploradas comercialmente pelas Filipinas e Europa, com destaque para Bélgica, Espanha e Alemanha. A Nova Zelândia é um destaque na criação de cervídeos (veados ou cervos). Atualmente, o potencial de utilização da fauna não se restringe apenas à comercialização de produtos, subprodutos e animais, mas também podem ser utilizados em integração com o turismo rural, como atrativo visual e na gastronomia, ecoturismo, fazendas de caça (ainda sem legislação específica no Brasil, mas com grande mercado, inclusive externo), e de lazer.
A criação de animais da fauna silvestre brasileira se constitui em um setor com grandes possibilidades de se tornar um negócio em grande escala , uma nova cadeia do agrobusiness. O Brasil tem grande biodiversidade e recursos faunísticos, e temos condições de obtermos benefícios econômicos e ecológicos com esta pecuária alternativa. Com o aumento do número de criadores desenvolveremos uma tecnologia adequada , diminuindo os riscos e aumentando a produtividade. O Brasil tem condições de ser líder mundial neste segmento, produzindo produtos nobres, como a carne e o couro, subprodutos como plumas e óleos, e animais de companhia , como araras e papagaios, gerando receitas e empregos no campo. É uma alternativa para o produtor rural que planeja viabilizar economicamente sua propriedade através de uma diversificação e que visa aproveitar os recursos existentes, explorando esse potencial através de uma atividade em expansão: a criação comercial de animais silvestres. |