Criações por espécies 

Papagaios, Araras e Maritacas

Os papagaios, araras e maritacas, na verdade, fazem parte de um grande grupo de aves, os Psittaciformes, chamados popularmente de aves de bico torto. Esse grupo ocorre não só na América do Sul, mas, também, na África e Austrália; possui mais de trezentas espécies e adicionalmente algumas centenas de subespécies e raças artificiais criadas pelo homem, como os diversos periquitos e agapornis. Os papagaios, araras e maritacas são os mais representativos da família dos Psitacídeos sul americanos, possuindo cerca de 65 espécies. Entretanto, ainda dentro dessa família na 
América do Sul existem muitas outras espécies. Após alguma experiência com os psitacídeos brasileiros, o futuro criador poderá se aventurar a adquirir algumas outras lindas espécies da Ásia, África e Austrália.
Foto acima: Papagaio Verdadeiro ou Papagaio Baiano (Amazona aestiva)

Os Psittaciformes sempre despertaram enorme interesse no homem desde os tempos mais remotos. Realmente, existem citações desse grupo na literatura lndú datada de 3.000 anos AC. Até mesmo a Kama Sutra faz referência a esse grupo dizendo que uma das 64 atividades nas quais o homem deve ser mestre em fazer é ensinar um psitacídeo a falar.

A primeira importação de psitacídeos foi feita pela Europa em 327 AC. quando um soldado do exército de Alexandre, o Grande, chamado Oneskritosde, resolveu levar para a Grécia algumas aves como lembrança, em seu retorno, após a campanha na Índia contra os Persas.

Este "contrabando" surtiu tanto efeito que, após aquela data, as exportações da Ásia para Europa não pararam.
Até mesmo Cristóvão Colombo, em sua épica descoberta da América, trouxe de volta alguns papagaios como lembrança das supostas Índias. Na verdade, naquela época os psitacídeos eram tidos como sinônimo de riqueza e ouro. Sabe-se que, antes de avistar indícios de terra, a Esquadra de Colombo avistou um suposto bando de psitacídeos voando para o sul. Decidiram então irem direção àquele bando e foram descobrir o que hoje são as ilhas Bahamas. Ao que tudo indica, se tivessem prosseguido o curso original, teriam desembarcado na Flórida e não em uma ilha.
Essa grande atração que os psitacídeos exercem sobre o homem tem um enorme preço para os mesmos.


Foto ao lado: Ararajuba - (Guarouba guaruba)

Esse grupo, além de sofrer com a destruição de seus ambientes naturais sofre com a intensa coleta para abastecimento do mercado de "pets". Realmente, de todas as demais aves, a ordem Psitaciformes é a que possui maior número de espécies ameaçadas de extinção.

Para se ter uma idéia da dimensão do comércio de psitacídeos selvagens podemos analisar alguns números. No final dos anos 80, somente o Senegal exportava 20 milhões de aves anualmente. Entre os anos 81-18, os EUA importaram, legalmente, 703.000 psitacídeos da América do Sul e Central. Isso sem contar com a Europa e Japão que importaram números semelhantes. No final da década de 80, o negócio de animais silvestres rendia para o Peru, 20 milhões de dólares por ano.

No Brasil, tem-se noticias de que apenas um traficante capturou 10.000 araras azuis. O tráfico ilegal reduziu a população original dessa espécie, estimada em até 3 milhões de indivíduos para não mais que 5.000. Na verdade, o comércio de animais é a terceira maior indústria ilegal no mundo após drogas e armas.

O quadro fica bem mais grave quando se analisa como essas aves são transportadas. Se entre 5 a 10% das aves transportadas legalmente morrem durante a viagem ou quarentena, imaginem quando transportadas ilegalmente, amontoadas em pequenas caixas com grande dificuldade de respirar e sem se alimentar. Nas condições de transporte mais precárias possíveis, inimagináveis pela maioria dos leitores, cerca de 90% das aves capturadas são reprovadas nesse teste de resistência acabando, portanto, em uma lata de lixo.

A criação comercial de psitacídeos é tida hoje como uma das soluções para a preservação de espécies selvagens. Sabe-se que a repressão ao tráfico, por mais forte que seja nunca conseguirá acabar com ele. O homem tem necessidade de conviver com animais silvestres desde a pré-história.

Disso resultou inclusive no nosso tão amigo cachorro, que nada mais é do que o lobo europeu geneticamente modificado. Sabe-se que uma das primeiras permutas de Pedro A. Cabral com os índios brasileiros foi de uma arara vermelha domesticada por artigos manufaturados. Esta mesma arara causou grande sensação em Portugal. Assim, pode-se deduzir que é muito difícil impedir que alguém compre um papagaio, mas pode-se fazer com que se compre esta ave de um criador devidamente registrado.

Alimentação

Na natureza, a alimentação dos psitacídeos é bastante variável. A maioria das espécies alimenta-se de sementes, coquinhos, frutas, brotos de folhas e flores, mas existem espécies que são muito especializadas e necessitam de um alimento específico para sua sobrevivência e/ou reprodução.

As espécies menos especializadas, muitas vezes, utilizam tipos de plantas exóticas em sua alimentação. Tal é o caso do papagaio verdadeiro da cidade de São Paulo, cujo grupo utiliza o cemitério do Araçá como dormitório, que por diversas vezes foi possível observar alimentando-se de brotos foliares ou florais do eucalipto.

Em cativeiro, criadores têm usado diferentes formulações alimentares contendo frutas, sementes, verduras e milho verde, que é uma fonte de proteína. No Criadouro Conservacionista Colina dos Araguaris a quantidade de sementes oleaginosas na época não reprodutiva foi reduzida, para evitar a obesidade das aves. Existem também, rações comerciais (nacionais e estrangeiras) especialmente indicadas para psitacídeos.

Qualidades e curiosidades

Entre as diversas qualidades dos psitacídeos, podemos citar a sua extraordinária capacidade de vocalização com imitação da voz humana e articulação de palavras. Essa qualidade e sua coloração exuberante são responsáveis pela sua captura e comercialização ilegal, aumentando sua vulnerabilidade na natureza.

A espécie que é mais conhecida pela capacidade de "falar" é o papagaio africano (Psittacus erithacus) de coloração cinza. Entre os papagaios brasileiros, o Amazona aestiva e o Amazona ochrocephala são considerados como os que têm a maior facilidade para "falar". No entanto, a sua vocalização natural apresenta, na maioria, um timbre e volume que são considerados desagradáveis e barulhentos.

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